Foi triste o dia da separação, o dia em que meu barraco desabou (como diz uma música de humanos por aí)...
Eu havia acabado de nascer, não que eu me lembre muita coisa desses meus primeiros dias, mas acabo ouvindo e entendendo os outros contando minha história por aí...
Minha mãe era uma gata bonita, nos amamentava - eu tinha seis irmãozinhos, 3 machos e 3 fêmeas.
Minha vida era brincar, correr atrás de coisas pequenas, como moscas e outros insetos. Eu me divertia até com ciscos de madeira e papel queimados voando pelo ar.
Nem me pergunte sobre meu pai, porque ele era um gato arredio, arisco demais, morava nas ruas e minha mãe uma gata de casa, que entrara no cio e os que cuidavam dela não haviam percebido isso. Quando deram conta ela já estava grávida de nossa linda ninhada.
Costumo dizer que tenho todas as cores, principalmente por meus olhos castanhos e minha pelagem brilhosa, malhada de branco, preto e marrom. Mas quando vou para a areia, aí sim fico colorido. Meus irmãos eram diferentes, tinha dois pretos, um era malhado e os outros amarelados, rajados, como nosso pai.
Um dia, em casa, mamãe saiu para andar e nós ficávamos trancados em um quarto para não sofrermos perigo, depois desse dia não a vimos mais...
Foi triste para nos acostumar sem ela ao nosso lado, sem seu apoio, seu leite, sua língua nos lambendo carinhosamente.
Nos perguntávamos entre si sobre o que acontecera, mas ninguém tinha uma resposta, só nos lembramos daquele olhar meigo nos olhando através da porta, dizendo que já voltava, saindo e nunca mais voltou.
Depois, vimos aqueles que cuidavam de nós chorando, a mulher soluçava, parecia inconformada.
Eu sai do quartinho onde estávamos, segui o homem até um certo ponto, o vi com um saco preto nas mãos, o que teria lá dentro? Será que era minha mãe?
Depois os ouvi comentando sobre um carro, algo como atropelamento.
Talvez hoje com minha experiência eu possa entender, mas quer saber da verdade? Não quero entender, quero ter minha mãezinha junto de mim para sempre, seu olhar suave e seu miado doce...
As tristezas em nossa vida chegam e se vão, mas tem umas que marcam nossos corações para sempre e mesmo tendo essa marca, elas cicatrizam, mas sempre que mexemos ali, dói bastante.
O importante é termos outras marcas para sentir, marcas de alegria, essas encobrem qualquer sentimento triste.
Até outro dia.
EUREKA!
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